Odontologia Desportiva

Em todos os esportes de alto rendimento, os atletas profissionais e amadores buscam sempre mais alternativas para conquistar vitórias, quebrar recorde e obter superação. Para atingir essas metas, o organismo do atleta deve apresentar condições perfeitas de funcionamento, com seus músculos respondendo imediatamente ordens do comando cerebral e sua saúde excelente, atingindo os objetivos com precisão. Com uma saúde bucal apropriada, o organismo funcionará melhor e com mais eficiência, pois diversos estudos apresentam as condições bucais influenciando em repercussões sistêmicas. A respiração bucal reduz a capacidade aeróbica dos atletas em atividades físicas e os processos infecciosos da cavidade bucal podem espalhar-se para o restante do corpo. Existem diversas bactérias de infecções bucais que buscam lesionar as articulações, criando problemas para o atleta, sem que ele saiba a origem. Outra questão relevante é a administração correta de substâncias e medicamentos em tratamentos odontológicos, que não interfiram nos resultados de exames antidoping.

Para conscientizar os atletas sobre a importância da boa saúde bucal, profissionais de educação física e dirigentes desportivos devem atuar em conjunto com outros profissionais na área de saúde formando uma equipe multidisciplinar, aconselhando e orientando seus atletas profissionais e amadores sobre higiene bucal e visitas periódicas ao dentista, proporcionando aos mesmos, saúde e longevidade na carreira esportiva. A odontologia é uma área multidisciplinar de grande valor para os atletas profissionais e amadores de todas as modalidades.

O acúmulo de bactérias na cavidade oral gera processos infecciosos bucais que poderão ser determinantes no rendimento esportivo de atletas. A cavidade bucal constitui um complexo ecossistema com mais de 500 espécies bacterianas. Os processos infecciosos bucais e a mastigação imperfeita podem ocasionar diversos problemas para a saúde geral do atleta, devendo ser tratados assim que descobertos. Para evitar a ocorrência de infecções bucais, a higiene bucal do atleta deve ser completa e regular, e a necessidade de visitas periódicas ao dentista é formada com orientação e conscientização, os dirigentes e treinadores devem assumir esse papel quando o atleta não tem acesso a essas informações. Os processos infecciosos contribuem em muitos casos para o aparecimento de lesões músculo-esqueléticas, alterações sanguíneas, bactérias participantes da infecção bucal que participando do fluxo sanguíneo do corpo, atacam os locais de compatibilidade estrutural, como determinadas bactérias que se alojam em válvulas cardíacas, no endocárdio e endotélio, resultando em endocardite bacteriana. A partir da endocardite bacteriana, podem ainda surgir infecções como abscesso miocárdico, miocardite, abscessos em rins, baço e cérebro. A preservação da cavidade bucal do atleta é necessária, pois a mastigação deficiente gera problemas durante o processo digestivo, assim o organismo apresenta uma ineficaz absorção de nutrientes, dificultando a produção de energia necessária para ser utilizada em treinamentos e competições, atrapalhando o desempenho esportivo. A mastigação imperfeita é motivada por ausência de dentes, próteses inadequadas e outros problemas bucais. Essa mastigação em conjunto com os processos infecciosos, pode desencadear o aparecimento de lesões em regiões importantes, como joelhos, tornozelos, músculos, cabeça e coração. Problemas gastrintestinais também podem ter sua origem em problemas na cavidade bucal.

Os atletas de alto rendimento apresentam maiores probabilidades de desenvolver bacteremias em virtude do alto consumo de carboidratos em curtos espaços de tempo, uso de suplementos alimentares e repositores hidroeletrolíticos durante os treinamentos.

Protetor BUCAL.

Protetor bucal é qualquer aparelho utilizado na boca com a finalidade de proteção para impactos. Desde 1959 a odontologia vem desenvolvendo pesquisas procurando enfatizar a importância do protetor bucal para os esportistas, um exemplo de sua importância é comprovada pela National Youth Sports Foundation, segundo suas estimativas mais de 5 milhões de dentes são lesados devido a atividades esportivas, anualmente. Conforme um estudo da American Dental Association – ADA, mais de 200 mil traumas orais são evitados graças aos protetores bucais.

Finalidades ligadas ao uso do protetor bucal :diminuir o risco de lesões na região anterior da maxila em 90%; prevenir cortes na língua, lábios e face contra as pontas agudas dos dentes da maxila; diminuir o risco de danos nos dentes posteriores; diminuir o trauma de mandíbula; distribuir forças recebidas, quaisquer tipo de pancadas; impedir o contato maxilo-mandibular violento durante o impacto; oferecer proteção como suporte para absorver as forças que podem fraturar o ângulo ou o côndilo da mandíbula; propiciar redução e proteção contra lesões de pescoço.

Devemos ressaltar algumas principais lesões que o protetor bucal tem como objetivo proteger os esportistas: lesões cerebrais e lesões das juntas do queixo. Essas  lesões ocorrem quando há uma pancada na parte inferior da boca, ocasionando um choque entre o côndilo da mandíbula e a fossa glenóide. Essas lesões podem gerar sequelas para toda a vida e até mesmo a morte. O protetor bucal ocorre na prevenção dessas lesões ao forçar uma separação entre a fossa e o queixo inferior. Existem protetores não convencionais, que praticamente anulam essas lesões, são eles os protetores da junta do queixo.

A importância do protetor bucal vem sendo comprovada com varias lesões ocorridas em esportistas, o profissional de educação física deve estar sempre indicando o uso de protetores bucais.

RESPIRADOR BUCAL

Existem várias etiologias para descrever e explicar o respirador bucal, sendo importante ressaltar que é uma etiologia de vários fatores. A respiração pela boca (bucal) é apresentada como síndrome, uma disfunção respiratória associada ou não à obstrução nasal, desencadeando deformidades dento faciais e problemas no desempenho físicos dos atletas. Um respirador bucal apresenta seu padrão de respiração nasal insuficiente, substituindo-o pela respiração bucal ou mista.

Uma das causas mais comuns da respiração bucal é a obstrução das vias aéreas superiores e esta obstrução exige modificações posturais de partes anatômicas, como a mandíbula e a língua que assumem uma posição inferiorizada, além de diversas alterações que tem como consequência a desarmonia nas principais funções do sistema estomagnático. A respiração bucal estabelece vícios posturais como queixo levantado e boca aberta. São algumas reações do organismo para tentar equilibrar a respiração, favorecendo diversos processos infecciosos das vias aéreas como sinusites e rinites. Atletas que apresentam esses problemas dificilmente conseguirão obter bons resultados em treinamentos e competições. A respiração nasal é necessária para o crescimento e desenvolvimento do complexo craniofacial, influenciando no bom desempenho da sucção, mastigação e deglutição, comprometendo a boa digestão e absorção dos nutrientes no caso de atletas, que necessitam do bom funcionamento do organismo para obter sucesso esportivo. Durante os exercícios, a maioria dos atletas respira pela boca e pelo nariz (respiração mista), sendo que a parcela que respira somente pela boca, apresenta uma queda na resistência aeróbia e nos reflexos, piorando o desempenho desportivo, podendo ter declínio de até 20% do rendimento total. As reclamações dos pacientes respiradores bucais nem sempre estão ligadas aos problemas respiratórios iniciais, mas podem ser consequências dessas alterações. As queixas mais comuns dos pacientes respiradores bucais relacionam-se à falta de ar ou insuficiência respiratória, cansaço rápido em atividades físicas, boca seca, olheiras, halitose, dor nas costas ou na musculatura do pescoço e outros problemas. A principal recuperação de respiradores bucais baseia-se em reeducar a musculatura oral, proporcionando postura adequada dos lábios, língua e complexo maxilo-mandibular. A respiração bucal deveria ter importância considerável no tratamento dos pacientes na clínica odontológica, com o auxílio de outros profissionais da saúde. O diagnóstico precoce da disfunção respiratória durante a fase de crescimento, na dentição mista, é fundamental. O profissional de educação física deve ficar alerta no que tange a observação de seus atletas que apresentem qualquer tipo de disfunção, como a respiração bucal, para que os treinamentos não sejam efetuados sem a possibilidade de rendimento máximo e os resultados não apareçam, frustrando o atleta. Diante de tais conceitos, ressalta-se a importância do trabalho interdisciplinar, justificada pela diversidade de sintomas que o respirador bucal apresenta, sendo de difícil identificação por um determinado profissional da saúde.

A saúde bucal afeta diretamente a saúde geral, com importância privilegiada para as orientações e conscientização por parte dos profissionais de educação física aos seus atletas, que desconhecem a verdade sobre problemas odontológicos. Comprovadamente, problemas bucais podem afetar o desempenho esportivo, e essa nova linha de pensamento deverá ser trabalhada pelos profissionais de diversos campos da saúde, agindo em grupos interdisciplinares, os atletas alcançarão superação e principais metas com o auxílio da odontologia.

 

Fonte: “Odontologia Desportiva x Performance Física.” Autor: Giliarde Maciel Feitosa (aluno do curso de Educação Física da Universidade Católica de Brasília  –  UCB.)